quinta-feira, 22 de junho de 2017

Castelos e Ruínas

Penso que o que me falta (de vez em quando) é um pouco de inocência.

Se eu não fosse tão ciente de tudo, talvez já tivesse mais progresso. Hábitos e histórico me fizeram um homem sábio, mas os vícios não me dão espaço pro inteligente. Eu sei do provável, eu sei do difícil, sei do certo e sei do errado. Não faço nada, tento muito. Sou tudo, sou nada.

Sou grande, sou pequeno, sou o inocente em cima do muro.
Sou rico, sou pobre; sou camponês, sou nobre.
O chão de dinheiro, que forre. Sou ouro e cobre.

E ciente de tudo, sei que é o progresso. Evolução mental, melhoria de palavras e novas roupas, velhos amigos e novas pessoas. Várias tentativas, poucos sucessos, seguido de filosofia e alguns retrocessos. 

Avanço e me canso, prossigo e me deito; suspiro e penso (a meu respeito)
Será que alcanço? Sorrio em meio ao que miro; tenso.

é singelo o dia, e a noite; puída.
ciente de você, ambição
meu castelo, minha ruína.

quinta-feira, 9 de março de 2017

suas pernas foram feitas para correr,
e hoje,
eu só te vejo parada.

eu também parei
hoje eu estou estático
eu vejo o vazio nessas folhas, no horizonte, na sua foto, no reflexo na janela.

minha cabeça está baixa,
com o cabelo e a roupa molhada,
eu bato à porta.

meu corpo todo está molhado,
junto com essa rosa que tentei proteger,
desculpa, meu amor, mas no verão sempre chove.

eu só ouço silêncio,
silêncio,
silêncio.

somente silêncio.

viro as costas e corro,
corro,
corro.

a respiração ofegante,
a chuva em contato com a pele,
a rosa no lixo.

somente silêncio.
somente,
silêncio.

silêncio.

prometo a ti: nunca mais pararei de correr,
desculpa, meu amor, mas no verão sempre chove

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

a criança do parquinho

Aí está você, puros dentes brancos
dando-me alívio entre declives e barrancos
o seu branco me é uma bronca --- e comigo brinca
dos movimentos: que sinta. (sinta mesmo) Os bruscos brotam brilhos.
a seguro em meus braços, em pleno breu
(...)

Hei de ser, houve e foi
haveremos de compreender
você saberia o que dizer.

Eu caminho no condomínio
crianças no parquinho
crentes de diversão
algumas sem um colinho

Eu olho o relógio e
já passou muito do horário
éramos junção e crase
mesmo sem um dicionário

(Maldita dor que nos assola,
maldita dor que nos aguarda)

Fico sem graça, reflito:
dou risada. (muitas)
saio ao caminho
lembro do abraço;
lembro do carinho.

Era domo, era eu
era dominho
sempre deixava claro que
eu era seu irmãozinho

Vou-me embora um tempinho
deixe-me aqui no canto, quietinho
pois eu sem você
sou a criança sem parquinho.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A bola que você pisa sempre

A BOLA QUE VOCÊ PISA SEMPRE



O Pê tava quebrando a quarta parede comigo hoje. Me perguntando se tem uma bola que eu piso sempre. Você, leitor, tem? Tipo um erro que eu provavelmente gosto de cometer. E tenho sim, e muito provavelmente você também. Leves atrasos para os nossos focos principais. Distrações irrelevantes 
que nos tiram do caminho.


Eu tô com a mesma dúvida que ele teve ano passado, se eu tenho permissão de escrever textos desnecessários de reflexões fúteis que parecem coisas bonitas com as palavras encaixadas corretamente, mas acho que isso tudo é o cubículo em que o passarinho come alpiste. Há quem diga que se for uma gaiola na beira do Macchu Picchu, a paisagem vai presentear ao infeliz canário o sabor que ele procurava. Tipo quando você tá rodeado de parentes comentando sobre temperatura e o último jogão do domingo mas o teu celular te dá o ambiente desejado. Macchu Picchu.


 Tudo é a nossa volta, penso eu. Ele diria um ''tudo é a nossa volta, bicho''. E é assim mesmo. Nossa vida é o tempero, não o conteúdo. E agora eu vou misturar gastronomia pra você entender a analogia. E acho que é uma parte na escrita que eu herdei dele. Mas pensa bem: você não come o arroz e feijão sem sal, você come o temperado; e se tiver algo a mais, melhor ainda.


É bem aquela cena do Mr. Robot mesmo, acho que o melhor palpite é que a gente quer ficar sedado boa parte do tempo, pra lidar com o dever, sonho ou necessidade depois. Depois de um bom episódio de alguma série qualquer.


Ele tava sempre em confronto nesse quesito. Consigo mesmo. E me relacionei com pessoas assim também, mesmo que não tenha conseguido resolver eu entendi que a importância não é o tempero da comida. Sim absorver o que ela tem de qualidade.

Em resumo, tô tentando explicar que não como comida com sal.

 e isso eu não aprendi sozinho.


Isso eu aprendi com a décima sexta letra do alfabeto.