sexta-feira, 30 de maio de 2014

I don't lie

Hoje eu estava meio mal
Tomei um banho sem sal 
(que nem o meu cabelo, segundo a embalagem)
E é dia
Não dia de alguma coisa
Só dia.

É dia de achar novas coisas a se fazer?
É dia de se arrepender?
É dia de tentar?
É dia de comemorar?

                         Ah, estou perguntando demais, hoje.

Eu acho que devia sair pela rua e distribuir doces para as crianças e ficar amigo da vizinhança.

Mas,
Aquele abraço que eu neguei...
Você pode tentar dá-lo de novo?


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pessoa

A gente tem medo de errar
De pisar em falso
De falar errado

A gente não tem medo
De magoar
De sujar
O coração
Da 
Outra
Pessoa

Nós nunca prestamos atenção
E dizemos que vamos voltar
Que vai ser diferente
Que vai ter mais gente
Na nossa vida

Esquecemos que promessa é dívida
E que o que pouco importa para nós
Importa pra a outra pessoa

O importante é isso
Viver e tentar aprender
Levar pra frente
Lapidar os erros
Sobreviver um dia mais

Esquecer das obrigações
Que nós mesmos criamos...

domingo, 25 de maio de 2014

elegia ao brasiliense morto

fotografia por Giovana Anschau.

você rola
os olhos
porque até
os modernistas
estão cansados
das estruturas metálicas,
do tumulto dos sólidos,
da natureza morta.

eu te olho
lá de cima
porque você é tudo
o que eu sempre quis ter,
a refração eu observo
num reflexo fantasma
e eu não atravesso
parede alguma,
nem ferro nem concreto,
nem vidro
nem cinética.

mesmo assim
os vultos passam
te arrastam pra longe
e você ainda olha
do outro lado
e toca as paredes
procurando o calor
que eu, aqui do lado,
insisti em esfriar.
"Scott: I don't think I'm ready to be a grown-up.
Kim: I don't think you are either, buddy. But hey, you'll get it. It just takes practice.” 
 Bryan Lee O'Malley, "Scott Pilgrim's Finest Hour"

I guess the World is really hard. Ok, I can say the Universe is really hard. If I said "Earth is hard..." I would be lying. If Earth was called... Water, it would be as hard as Earth. The name isn't the problem. The problem is us.

When I say "us", it's not just you and me. It's all of us.

And I am sure the problem isn't us.
The problem is: we don't know.
And we know the fact the real problem is: we know, we don't know.

Being a grown-up is hard, as Scott — or Bryan Lee — has said before. This character means a lot to me. Like Parz1val, by Ernest Cline.

If anyone in this world said "I am sure of my future", I would punch this guy. What makes the world a bearable place is this: we are not sure of anything.

Due to this fact, I am sure of one thing: I want to have my kids with you. But I am not sure of this: I don't know whether we can.

And it's funny. I guess 90% of the things of this world makes me feel bored. And you are in the 10% group. You are the girl of the pure ice cloak. And I am sure you guys don't know my vision of the white — or ice, either. Let me explain.

I saw an image of stalactites and stalagmites of an ice cave, a few months ago, by the way. And it was beautiful a lot. It will be a messy explanation.

Your favorite color is gray. And you said to me "your sadness is gray" some day. So I wondered what color is my love. At the first shot obviously red, because of all of the hearts and whatever. But thinking better, white is the color of my love.

Like you are my guiding light, and I want to follow it for my whole life. And I guess lights are white, so...

And when you see a white t-shirt you always try to keep it white and clear.

And when I am with you, I can't feel bad things... I just can fall in love.
And every day I go out, I am always searching for your face in every car, human, person, face, and in birds...?

I was thinking about the word homesick. I am sure I am homesick, but my sickness has other name: being far from you.

Okay, it wasn't a good pick up line.

I was reading the most incredible book of this world and I quoted “After rewriting it a few dozen times, I tapped the Send button. Then I pulled up my screenshot of the Jade Key riddle and began to study it, syllable by syllable. But I couldn’t seem to concentrate. No matter how hard I tried to focus, my mind kept drifting back to Art3mis”. Do you know 03/18/14 at 00:24? And after 01:41? I am talking about this. You little sleepy monster.

Please, I want to travel out of this world with you, go into every piece of this universe. I want you, and just you, to artistize ourselves.

I'm really sorry, because I wrote it in English.

I wanna feel blue and gray.
You and me.
Us.

Meio fio, meio do fim, passou

Venha correndo
com essa risada de criança
esse sorriso estampado

Venha correndo
chorando por ter caído
do mais alto morro

Venha correndo
com a bicicleta na mão
e proclame uma poesia aleatória
mal formulada, agora

Me olhe com esses olhos castanhos
brilhando
e esses cílios prolongados
de criança pequena

Venha correndo
e pare para que eu
olhe no fundo do teu peito
e sinta toda a tua história
as tuas dores, os teus romances,
as tuas alegrias;
para que eu sinta o gosto das tuas ideias.

Mas não fique,
passe,
assim como uma criança passa correndo
empinando pipa
ou como um pássaro no meio fio.

Fio,
fim,
passou.

Azul cobalto e arranha-céu

Mentalize a coisa mais triste que você conseguir.

O que você pensou? Conta pra mim. Eu quero saber se você pensou no seu mundo desabando, na sua mãe chorando ou em ver seu cachorro morrer aos seus braços. Se você pensou no cair de pétalas de uma gardênia, se pensou em comer pão velho em vez de crostini de quatro queijos. Pensou em ditaduras comunistas? Ou nos que são amarrados em postes? Pensou em pesadelos? Mensagens subliminares? Pensou no futuro?

Shhh, me conta. Por favor. Eu não conto pra ninguém, eu juro. Juro pelo que você quiser! Sim. Pode confiar. Isso fica entre nós, tá bem? Guardado a sete chaves, bem aqui.

E como você está? Está tarde e eu estou triste, mas as coisas poderiam estar muito piores. Você sabe disso. Acabou de me contar.

Talvez nós sejamos apenas estranhos se movendo juntos em alguma direção. Pra onde você olha quando sente essas coisas? Eu olho para o céu, mas os prédios às vezes estão tapando a minha visão. É meio engraçado, sabe? Sentir isso tudo e ainda querer procurar pelas cores bonitas.

Mas nós somos aquelas crianças que diziam que mudariam o mundo, não é? E agora?

Cerebelo

Sim.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Olhei para caminhos tortos
que mais pareciam uma escoliose
e não me importei muito
todas essas coisas retas irritam

É como se a vida fosse um jogo
cada ação ou fala pode significar
um conjunto de números em um
computador divino

Pode ser que a vida seja uma aposta
aposte errado e você afunda
aposte certo e você triunfa
e quantas fichas ainda temos?

Suponho que boas escolhas levem
a caminhos retos e bonitos
um tanto quanto "polianísticos"
mas será que eles são bons?

Escolher certo pode resultar em
grana, fama, luxo, roupas
dois filhos, casa própria
viagem no fim do ano, resort caro

Mas o que aprendemos com isso?
que o mundo não vale nada?
ou será que ele vale tanto e aí
que não vale nada?

Pensando pelas escolhas ruins
resultam em incerteza
um filho e talvez uma casa
viagem sem data e pousada barata

E eu não tenho certeza sobre filhos
nem o que é melhor
me pergunto se viver com escolhas certas
me ensina alguma coisa

Não quero apostar errado tantas vezes
não quero escolher errado toda hora
só quero o certo de vez em quando
só o certo para conseguir

Levantar voo
Embarcar
Amar
Viver;

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Formigueiro infernal

Quantas pessoas
Passam por aqui
Com a cabeça erguida
Como se estivessem em uma busca pelo futuro perfeito

E essas pessoas
Que logo que viam a sua pessoa
Abriam um sorriso amigável 
E vinham com o mesmo sorriso
Dizer um "tchau" seco

Essas pessoas
Por que as deixamos viver?
Por que sentimos necessidade de fazer parte da vida delas?

Me diz quem é você
Me diz por que você olhou assim pra mim
Me diz como foi que você conseguiu me deixar cambaleando
À sua procura

Fala pra mim que tá tudo bem não falar
Mas torne e diga "fale, você fala de um jeito legal"
"Você é um querido"
"Você é um amor"
Ria

R-I-A. 

Faça com que eu sinta que sou importante
Para pelo menos alterar o rumo da sua vida
Pr'eu poder me sentir uma pessoa melhor
Faça

Abaixei a cabeça de novo. Não deu. Os olhos claros me acertaram como se eu fosse um prisioneiro esperando a sentença de morte. 

Tá, não foi tão pesado assim. Mas eu senti. 

"O vento sempre leva o que trouxe
  Mais dia, menos dia, alivia..."
                                     - Medulla 

sábado, 17 de maio de 2014

"Mas vem feito um coice"

Aquela sensação de amor pairou no ar
E parou bem na minha cabeça, vejam só
Não tá fácil de segurar
Lá, ré, mi, dó

Adentrei nos mais profundos timbres
Ergui as mais altas taças
Para poder dizer, meu amor
Que a minha vida pode ser só sua

Porém, não tente me enganar!
Esperto eu sou um pouco
Talvez, mas só talvez, eu me deixe levar
Pelas carências noturnas...

(mas como dizia a Gim:
Se o Gato falou
Tá falado)

(tá falando do Gato mesmo. Esse aqui.
Pô, melhor gato)

(thanks pro Lucas por ceder o Gato)


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Be my friend, be my brother

Jovem encostado na grade. Se sentindo um encosto, imagino. Sem expressão no rosto, se sentindo sozinho. Enquanto o vento soprava e fazia uma dança com as folhas, ele olhava com um par de olhos vazios. Olhos castanhos, nada mais. Parecia um rapaz igual a qualquer outro, era gélido. Até que me surpreendeu. No meio daquele espetáculo natural, uma folha caiu dentre seus dedos. Enfim alguma ponta de esperança ressurgiu ao seu olhar. Pegou-a em suas mãos, mas agora esperançoso, e quando notou que não tinha nada demais - pois não vira o espetáculo de fora -, jogou-a entre os sete ventos. Recíproco.

(ps. eu dedico esse texto ao meu irmão. "Just a young man looking homeward, watching the sun go down again across the water, the sun is shining, but, will it ever, will it ever be the same... Be my friend, be my brother")

quinta-feira, 15 de maio de 2014

... E nunca mais usei camiseta estampada com camisa xadrez.

Naquele dia eu estava calmo (eu nem lembro direito de como foi)
E de repente começou a parte que eu gostava.
O fone esquerdo (e apenas o esquerdo) bombava uma declaração (de amor ou ódio) que para muitos era apenas gritaria, mas para mim tinha um quê de especial (já que me identificou em tantas partes da minha mísera vida)
Talvez seja por isso que gosto de músicas em Stereo. 

A minha intenção era chegar e dizer, logo de cara:

"Desculpa, eu demoro pra entender tudo."

... Mas é óbvio que não disse. É óbvio que eu ia dizer "olha que botão estranho" e apontar pra uma vitrine qualquer com um manequim qualquer vestindo uma jaqueta qualquer. 

Aquelas frases soando na minha cabeça, minha incapacidade de conseguir curtir um ambiente fechado, minha síndrome de "estou fazendo tudo errado" e uma dor horrível no calcanhar direito fizeram com que eu ficasse quieto e criasse um clima quase sufocante e desesperados para quem estivesse em volta. 

... Mas é óbvio que não. Ninguém liga.

Resumo da ópera:

"Y'all ask what the fuck I'm doing
I'm releasing anger"

Não é sobre fandom nem nada do tipo. 
As pessoas só não ligam para qual tipo de roupa você está usando a não ser que você seja uma garota muito bonita ou pareça muito interessante. 

Há braços.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Entre ensaios & estantes

Seríamos os amantes mais lindos do mundo,
daqueles de filmes hollywoodianos dos anos 90
que descansam em pó e VHS na minha prateleira,
mas que sempre roubam-lhe um sorriso assim como
rouba-me um beijo por entre as escuras estantes
de uma livraria qualquer

dentre todos os caminhos, o mais certo parecia o seu
, onde quase surrupiei a poesia dos livros cujas lágrimas derrubei,
num choro de moleque que da saia da mãe fugia,
nos encontrou em sorrisos passíveis como porta-retratos
um futuro incabível à palma da mão, ou talvez seríamos cartomantes?

ou seríamos traços,
relaxos de uma peça improvisada que o público aplaudiu,
ensaios sobre canções de amores mornos, contos históricos,
semblantes tristonhos do céu que conjurou em pequenas estrelas
tão brilhantes que lhe fizeram procurar a minha mão
(tão tímida,)

pois assim em toda dúvida haveria um abraço proclamado
(cortando os espinhos e juntando os cacos,)
então a gente pode fugir e se esconder
ouvir uma canção de número ímpar
e ainda assim nos restaria deitar e nos embaralhar pelos lençóis
não sei se lavados ou se eternos

nós.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

nove treze vezes

Tava pensando
se eu tivesse que construir um universo
ele se chamaria
Universo?

Se eu tivesse que construir um planeta
esse planeta seria a
Terra?

Se eu tivesse que construir todas essas coisas
essas coisas seriam as
Coisas?

Pare. Isso não começou com o intuito de formar nada (ainda não!). Mas sendo sincero mesmo: eu precisava falar com um pouco de calma em algum lugar calmo.

Amanhã é um dia muito importante para mim. Daqui a pouco o amanhã é hoje, que se perdeu e virou ontem e o ontem já é o futuro, será que o passado não seria só uma história que estamos contando para nós mesmos? (citando Her, do Spike Jonze)

Hora de ter o intuito de formar algo.

Formar um universo sozinho deve ser chato. Ter que escolher as cores, tamanhos e dimensões. É um troço difícil, no seco.

Arranjem uma companhia se forem se enfiar na encrenca de criar algo. Mas vou sugerir uma enrascada que vale a pena: viver. 

Atire a primeira qualquer coisa quem falar que viver é chato. Deixo falar que falem que viver é uma merda ou qualquer coisa do gênero, mas chato não. Vocês não sentem um gostinho em lutar todo dia pelo seu universo?

Eu não sei onde é o meu universo, na verdade. Eu sempre andei por ai perdido. Vejo bastante uma menina que não é daqui, perdida por aí. Meio Artemis por lutar pelo que julga certo, meio Art3miss pela sua necessidade de arte.

Um dia eu senti seus lábios
Noutro também
E depois, adivinhem... também!
  [e fugimos um do outro
   porque somos dois
   perdidos, e pensamos
   que era tudo uma brincadeira]

E não era.

Viram? Eu contei uma história para mim mesmo.

Eu preciso contar algo do meu futuro, e eu não sei em qual categoria de história isso se encontra
história do futuro?
ciência do futuro?
futuro do passado?
Isso é difícil.

Mas posso repetir essa baboseira toda nove vezes, que é o número que essa história irá acontecer amanhã, porque eu conheço um pedaço do seu universo a cada dia.

E espero o dia do décimo terceiro mês.
Obrigado.

Feminazi stole my ice cream


Reticências... (Você quer ser feliz?) (curto e grosso sessions)

Enquanto não dá certo, vamos tentando!
O impessoal já virou pessoal mesmo...
Eu, como sou pessoal, vou dizer que tá tudo legal
E o resto, impessoal, parece não se importar...

Uma vez fiz a meta: "Todo dia deixe pelo menos uma pessoa feliz."

É fácil.
O problema é a pessoa querer ser feliz. 
Você quer ser feliz?

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Cícero sem vírgula, sem mais

Sábado cinza-triste me pega desprevenida na minha insônia mal aproveitada pelo desleixo. Madrugada azul-distante com passarinhos melhores cantores que você assubiam em prólogo dos meus escritos mal planejados.
Sábado azul-distante se transformou em cinza com a poluição dos meus pensamentos que envergam.

Que dormem cedo.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Incertamente, não sei

Olho pela janela do ônibus, procuro algo que não faço ideia do que é, talvez a resposta de coisa alguma, um caminho, um sorriso, um pouco de amor;
Ando por ruas movimentadas e vejo vários rostos e corpos, mas nenhum é o seu;
Vejo as ruas retas, curvas, pavimentadas e até algumas de chão, mas sem caminho para lugar qualquer, nenhuma que dê na porta de sua casa;
Olhei para o portão, porta, televisão, para a cama e o papel e falei "eu não posso";
O que eu não posso? Desculpa, eu não sei;
Ando todo dia procurando saber todas essas coisas;
Descobrir o que me tira o sono;
Descobrir o que há de errado; cause it's easy to wonder what went wrong;
Descobrir o que me mantém em pé;
E aquilo que me tira do pé;

Perdão por não ser culto, garota!

!

Há dias como hoje que só servem para esperar o amanhã. Dias em que você se sente estranhamente disposto e estranhamente triste. Dias em que você está tão mal que nem liga. Acaba sendo legal por nem ligar. 

Às vezes penso que estou ficando meio maluco. Aí é óbvio que vem o pensamento: "mas só tenho 17 anos, ainda tem muito pra viver e blablablabla". Ainda temos muito para viver? O que mais gosta de fazer? Como gosta de aproveitar o tempo em que permanece vivo? Gosta de encontrar amigos? Gosta de tocar algum instrumento?

Eu gosto de andar. Andar bastante, inclusive. Mas prefiro andar ouvindo música. Ouço muitas músicas do mesmo artista e faço comparações entre as músicas mais novas e mais antigas. O artista melhorou? Ele piorou? São tantos pontos de vista...

Fico tão feliz em poder andar bastante que quando vejo já estou em casa. Normalmente vou direto à cozinha, bebo um copo d'água e me enterro em meu quarto. Minhas pernas normalmente ficam agitadas e trêmulas, e já fico com vontade de andar de novo. 

Dentro do meu quarto, existem alguns quadros. A maioria são do Chaplin. Um do Friends, um buldogue, uma pirâmide... Variedade. Recentemente, minha avó me deu um quadro muito especial para ela e para mim. Estou tão feliz que nem sei onde penduro. 

Ah, desculpe. Estou perdendo o foco de novo.

A questão é: hoje não foi um dia muito legal. Não é uma reclamação. Temos o direito de não termos dias muito legais. Temos o direito de ficarmos tristonhos de vez em quando. O que não da pra fazer é parar, não é mesmo? Vamos à luta, caras. 

Obrigado pela atenção.

(Essa obra foi feita pelo Mosd, um artista que admiro muito. Sou fã mesmo. O legal é que ele usou como referência uma foto minha que foi tirada pela Gim e esse ciclo todo. Obrigado, Mosd! Obrigado, Gim!)

Jusante ou montante?


Latitude norte, extremo oeste em longitude. Essas poderiam ser as coordenadas quanto à minha posição sobre a sala de aula, que era dispersamente dirigida por um professor que, em minha mais carinhosa ponderação, se assemelhava a um patinho. Eu observava seu andar apressado enquanto ouvia sua análise apaixonada de mapas topográficos. Não mais do que isso.

Tudo bem, se eu tivesse mergulhado inteiramente dentro da aula, eu não teria tentado  romantizar— fracassadamente — a melancolia matinal em versos chulos sobre o sentido para onde os rios correm. Saiu algo como"um barquinho de papel/ era übermensch solitário/ nas marés violentas/ de um córrego calado", e então eu suspirei e voltei a me debruçar sobre a carteira. Minha atenção também voltou-se inteiramente às palavras do professor-patinho, mas a atmosfera pesada da manhã ainda fazia todos bocejarem de sono, o que se mesclava ao odor de plástico queimado que cobria a cidade desde muito cedo. Eu não enxergava mais o contorno dos prédios ao fundo, e por um momento a beleza da poluição urbana e da inversão térmica me tirou um sorriso tímido.

E sucessivamente, o tempo ia se arrastando. Me despedi do sublime amigo a quem admiro tanto, que ousou soltar "se um dia eu abrir uma escola anarquista, gostaria de nomeá-la como mentora", e assim pude sair da sala sorrindo mais uma vez.

Talvez eu só tenha um pouco de medo de tudo. Ou talvez eu só tenha acordado em mais um daqueles dias em que nada parece verdadeiramente palpável (tenho certeza de que sabe do que estou falando). Só sei que respirei levemente fundo, saquei minha filmadora da mochila, e adivinhe consegui capturar perfeitamente um pássaro parado em cima de um poste de luz, que cerca de dez segundos depois, levantou voo. Me pergunto onde ele está agora. Nesses momentos é que as coisas mais levianas da vida conseguem te tocar lá dentro, preenchendo cada vaso sanguíneo que te deixa meio vivo.

Ora pois, tudo em nome da arte. Enquanto a Terra rotacionava, desfoquei todas as luzes, fiz silêncio para todos os sons, observei de seno, cosseno e tangente, toquei até o que era proibido e procurei sentir tudo o que nenhuma outra pessoa havia sentido antes. Às vezes você acorda se sentindo alguma coisa.

Às vezes você acorda se sentindo astrônomo, místico, fotógrafo, Ernest Cline. Às vezes você acorda poeta (não, meu bem, hoje não). Ou às vezes você acorda velejante, querendo estar em um barquinho de papel, independente se irá seguir jusante ou montante. E a direção realmente não importa, não é mesmo?

segunda-feira, 5 de maio de 2014

domingo, 4 de maio de 2014

o rei coloca a coroa
e olha o oceano
pensando em como
chegar do outro lado

o palhaço que se apoia
e saltita na coroa
faz piadas de como
se chegar lá

o ferreiro bate o martelo
em uma construção
praguejando o tamanho de tudo
para se chegar lá

o plebeu olha e imagina
tudo o que tem do outro lado
e sorri por ter feito tudo
sem poder fazer nada

alcançar coisas
que não se pode ter

esconder frustração
em divertidas anedotas

trabalhar duro
para se ter mérito

obter a tão sonhada
felicidade, sem acordar

como diriam
onde quer que a valia
valha mais que a vida?

parênteses

A alma flutua
e só corpo sustenta

Você, você, você!

Isto é sobre você
Sempre foi sobre você
Você ali, você acolá
Sentada num banco
Ou vendo o tempo passar
E eu, que simplesmente observo
Sempre me pego pensando em você
Você é um dia uma, um dia outra
Você tem olhos bonitos e feios
Tem um corpo alto e esbelto
E as vezes baixo e macio
Você. 
Você sempre tem um jeito de me prender o olhar
E pra quê servem os olhos, se eu quero é te tocar
Eles dizem: 

"Ei João, suas frases não fazem o menor sentido! Cadê a continuidade?"

E eu só digo: 

"Calma, amizade..."

Aí pego meu violão e toco aquele Fá bem bonito
Início aquela música
E paro no meio
Porque me lembra você. 

Aí você diz: 

"..."

E eu digo: 

"Eu quero é adrenalina, meu bem!"

Pois bem, olha só, meu bem
Acho que no fundo mesmo
Esses versos catastróficos 
São sobre eu tentando me achar
E não tentando procurar você. 

Você não é você e nunca vai ser
E o você ideal nunca vai estar ali
Sentada num banco, desolada. 

Isso não é sobre você. 

sábado, 3 de maio de 2014

hipocondria

talvez o mundo precise de mais pessoas como nós
(vultos tangíveis, sólidos vulgares no perímetro)
que sentam-se aos pares e abafam-se em risadas
por mais cordial que seja o labirinto na bruma

procuramos uma causa nesses olhos tristes que
mesmo animalescos já dissiparam a cor da tempestade
onde morremos, dançamos, beijamos, iluminamos e criamos
dentre todos os céus, o nosso abrigo que não era rupestre

me diz, é possível passarmos descabidos
pelos astrônomos monstros de concreto?
mon sacré bleu, você diria, que nossas mãos se
intercalem e guiem a nossa fuga por pinturas avant-garde

mas os torpores mais mínimos puseram-se ao manifesto
e você hasteia a bandeira, tão pálida quanto o cobertor,
junto com a náusea induzida do sonífero
enquanto eu, absinta,
acordo no posfácio da manhã.

Obrigado por existirem.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

lá e aqui

Corre
escorre
lava
consola

O poema mais legal do mundo soaria assim:

"Pizza
Microondas
Amor
Mão
Eu sei
Tristeza
Sanduíche
Pastel
Amo você
Tchau
Coala"

raimundos

ô, raimundo, me diz teu nome
antes de passar aqui
e acolá,
dá voltas por todo o mundo
com ginsberg nas mãos
e cummings no coração,
vestindo uma calça cáqui
e um cachecol de segunda mão,
você finge que sorri
e é como um amor semovente
que dentre sombras e vermes
não cansa de ser sempiterno,
na pior das taquicardias
eu espero.

                            [você passou

                                         olhou
                                            de novo

            e eu fingi que não vi.