sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

(Fico citando palavras {} que ouço por aí porque não sei falar por eu mesmo)

Dá até um arrepio
Quando ela passa
Me deixa sem graça
É como um desafio iminente
Lá no fundo do mar
Ela me deixa sem ar
Não me deixa pensar
Não consigo amar
Sem ela estar lá
Pra me prestigiar
Falar
Que é possível chorar
Sem ao menos tentar
Esconder o que há lá (dentro, escondido ou sei lá)
Não gosto de pensar que ela se vai
Cai e sempre vai
Encontra outro rapaz
Não me deixa em paz
Eu quero mais
Sem ser sagaz
Deixei lá trás
A chance de ser mais
Dedico a chance
Olho de relance
Tudo tem um lance
Um olho, uma batida
"A fluência da raiva na rima"
A mina
A guria que não é mais pequena
Só me trouxe problema
Me perdi na cena
Já caí num dilema
Não é mais poema
É palavra cantada
Que não diz nada
Corre apressada
Acelerada
Batida pesada
Muita levada
PRA CHEGAR NO FIM DE SEMANA E NÃO SENTIR NADA.

Que saco.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Caffè latte

I.
da última vez nós procuramos abrigo debaixo do comércio fechado.
o senhor da loja de conveniências havia nos expulsado
de novo, mesmo com o mundo caindo lá fora,
sem compaixão alguma ao ver dois jovens trocando carícias
no finzinho do corredor.
– ah, que mal tem?
– aqui não. ele vai ver.
e viu.

II.
corremos de todos os males fantasmagóricos
para atravessar poças e
contornar a sombra dos prédios.
você não me pagou um café, é claro,
mas eu fui feliz ao pegar a sua mão
mesmo com o cheiro de homicídio e pólvora
pairando a cidade.

(e do pouco de consolo que restou,
eu já sabia,
o amor era sexualmente transmissível.)

de resto era infinitude, era sorriso exausto.
– mesmo assim?
– é que isso sempre acaba matando a gente.

III.
hoje você abriu o guarda-chuva.
ainda segurou a minha mão, sempre mais gelada que a sua
mas sempre cúmplice daquilo que queria ser visto.
– sabia que cheiro de chuva é bactéria?
– é?
– é. acho que tô ficando doente. é melhor voltarmos pra casa, viu...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Último. Valeu.

Parece que todas as palavras que passam pela minha cabeça não são o suficiente para poder sequer formar uma frase simples.

1: Recebemos agora as mensagens com perguntas dos fãs!
2: Opa, bora.
1: Qual seu maior defeito?
2: Hmmm, não sei. Talvez seja eu guardar muita mágoa dentro de mim. Acabo absorvendo muita coisa que eu poderia revidar.
1: Certo, certo. Outra: Qual seu peso atual?
2: Tô pesando 87kg, acho.
1: Tá engordando, hein? Hehehe. Essa aqui é boa: qual sua maior inspiração?
2: Em qual sentido?
1: Hmm, acho que no conceito geral...
2: Certo... Olha, na real eu não sei. Acho que a maior inspiração é você levantar e ficar correndo atrás do que não deve ou o que nunca vai alcançar.
1: Profundo, esse menino! Vamos a mais uma antes de bater o intervalo! Olha, essa aqui é meio pessoal...
2: Ih, lá vem. Diz ai.
1: Essa aqui diz "Tá tudo bem mesmo?"
2: ...
1: ...
2: Olha... Tá...
1: Muito bem! Agora vamos pro intervalo! Voltamos já!