domingo, 29 de março de 2015

E eu que me esforcei tanto em negar.../Abraço/Eu não tenho a intenção de fazer sentido agora/Não durmo de nervosismo

Minhas mãos são desiguais.

A cama está suja e vai permanecer assim até amanhã. Ela tem um cheiro desagradável que me remete a amizades agradáveis.
Afundo meu rosto no travesseiro e grito porque naquela hora não pude gritar. Fiz uma piada idiota porque naquele momento não a podia fazer.
Sou um erro de cálculo. Algo que se sabe o resultado, mas não o método de se chegar a ele.
Estava quente. Quente demais.
E todo mundo sabia que eu iria escrever e sentir e criar novas coisas a partir disso. Mas está tudo bem, agora. Em menos de cinco minutos você pode tirar umas fotos 3x4 e as distribuir entre seus amigos, se alistar no exército e pensar em qual caminho usar para voltar pra casa. Acontece que não sei qual é o caminho.
Não preciso de ajuda, mas seria bom se recebesse um abraço e um ato inusitado por dia. Não de você, nem de você, nem de você...
Você, você aí.
Isso mesmo.
Procurando não fazer sentido
Porque sei que se fizesse
Não teria metade da graça que tenho.

Hoje acordei.

Aquele dia doeu
Mas doeu menos.

Desculpe, pessoal que me lê há mais tempo: eu tento toda vez não perder a linha (como sempre fazia antigamente), mas falho miseravelmente. Pensando bem, quem disse que o desorganizado não é organizado em si?

sexta-feira, 20 de março de 2015

Por favor,
não me deixe só.
Sozinha

      com
  a
                  vizinha
     chata
                     reaça
que defende o genocídio,
sem saber.
Que carrega a suástica
no peito
sem saber.
Que simplesmente
não sabe qual passo dar.

Não me deixe só.
Sozinha,
em um emaranhado,
       sem Blues,
sem Jazzz,
                     sem você.

Uma conversa gigante e imbecil pra você saber que deve se afastar

1: ... E então é isso. 
3: Acho que chegamos a algum lugar, dessa vez. 
1: Na verdade eu acho que já sei o que rola. 
3: Que seria?
1: Tenho muito medo de ser idiota, dessa forma, pelo medo de ser idiota, acabo sendo. 
3: Drama?
1: Nah, isso sempre. Mas o ponto é: essas questões ficam batendo na minha cabeça como se a qualquer momento eu fosse sentenciado a ser privado de tudo... Talvez eu deva pensar mais.
3: Mas quando entrou por aquela porta, você disse que precisava conversar com alguém. Seria ignorância consigo mesmo dizer que não se importa mais.
1: Vitamina D. 
3: O quê?
1: Preciso de mais Vitamina D. 
3: Certo... Olha, preciso que você comece de novo. 
1: Tudo do começo de novo? Ah, que saco. 
3: É necessário. 
1: É idiota. 
3: E você não é?
1: Admiro sua sinceridade. 
3: De nada. Do começo...
1: Tá, eu estava deitado e sofrendo quando...
3: Eu disse "do começo".
1: Mas que saco! Por que vocês me fazem repetir isso o tempo inteiro?
3: Protocolo. 
1: Tudo o que vocês sabem... Regras, protocolos, aja normalmente, não fale alto, não viva, não discuta... 
3: Do começo. 
1: Que merda. Eu matei ela, tá bom? Matei. A facadas. Mas a gente pode voltar pro ponto inicial que é a minha sanidade mental?
3: Somente compreendendo o problema e os motivos. 
1: Que se foda! Se eu não matasse, ela se matava. Grande merda! Um número a menos nesse universo. Grande merda.
3: Você não se arrepende?
1: Eu me arrependo, já disse. Mas o que eu queria mesmo saber é por que diabos eu sempre ajo do jeito que eu quero mas tudo volta contra. 
3: Você decide suas ações e as pessoas que não são você decidem como vão reagir a isso. É natural. É óbvio. Mas agora vamos do começo. Você entrou na casa e...
1: Que se foda a menina! Vocês já sabem da história de todos os ângulos! Mas seu ponto é interessante... Parece que tenho dificuldade em ver coisas óbvias... Devia pensar mais...
3: Você está se repetindo. Sente-se bem?
1: Estou? Desculpe. Não queria que fosse assim. 
3: Não queria ter matado?
1: Pelo amor de Deus! Eu é quem estou me repetindo? 
3: Ok, então não vamos mais falar nisso, por enquanto. 
1: Amém. Será que por eu não me importar eu me torno idiota?
3: Como?
1: Ela. Eu não ligo. 
3: Mas se arrepende.
1: Sim, mas não me importo. 
3: Você é um desperdício. Podia ser muito mais que isso. 
1: Aí que tá: o que eu faço com essa informação? Será que consigo segurar?
3: Se não esquecer de tomar água e escovar os dentes, consegue. 
1: Você é mais louco que eu. Ou será que nem sou louco? Será que estou só fingindo que vivo? 
3: Você diz que deve pensar mais, mas se pensar mais, vai acabar afogado nos seus próprios pensamentos. 
1: Mas as pessoas que não são eu podem reagir como quiserem aos meus pensamentos...
3: Vitamina D?
1: Isso. 
3: Tenho, sim.
1: Ufa! Valeu, Maurício!
3: Que nada. Só me promete que você vai ficar bem. 
1: Sei lá, bicho, sei lá. 

quarta-feira, 18 de março de 2015

Mariposas no estômago

Queria escrever um poema que não
fosse mero nariz de cera, que as palavras
saíssem andando sozinhas, me dando as
costas e indo na sua direção.
Que direção é essa? Acho que eu esqueci
a minha bússola no seu paletó aquela manhã
e agora é tarde demais para buscar.
É tarde demais para me buscar. Eu ficaria
sozinha no ponto de ônibus, porque dessa
vez você não iria me colocar dentro do seu
bolso. Dessa vez eu não iria dormir quentinha
nem com todos os cobertores brancos e
meias felpudas. Mas é claro que eu não
dormiria de meias. Isso é bobagem.
Isso tudo é tanta bobagem que o bêbado
da sua escola disse que eu sorrio até demais.
Disse que queria ter tantos motivos assim
para sorrir e que sorrir é a coisa mais linda
que existe. Eu concordo, vulgarmente. Acho
que há motivos para sorrir em cada esquina
e a gente tem um pouco de medo de olhar.
Talvez de cara aquela prostituta não seja
bem um motivo pra sorrir, mas se você olhar
bem, talvez ela esteja procurando motivos
também. E talvez isso te faça sorrir.
É assim que eu tenho passado as últimas
épocas. Sorrir com você era tão constante
que por tempos eu não precisei procurar
cantinhos da cidade para sorrir. Estava
em absolutamente todo lugar. Acho que
era sorriso gratuito mas bem publicitário,
que nem a tiragem do Metro de manhã.
Agora sei lá, eu tô dentro do ônibus e ouço
o tilintar da campainha de uma bicicleta
e confundo com todos os sons que se
misturam dentro de mim. Eu lembro de
muitas coisas, de verdade. E na maior parte
do tempo eu não gosto de lembrar e de
repente me desmanchar em um sorriso. Assim
fica difícil tentar procurar em outros lugares.
Mas no final, era só isso que eu queria dizer.
Talvez a gente ainda se esbarre em um sorriso
por aí, mas não quero te procurar. Ainda tenho
uma cidade inteira para explorar...

segunda-feira, 16 de março de 2015

Dona, eu lembro muito bem daquele dia. A luz acabou e a gente foi correndo pro seu quarto, que mesmo com o sol batendo, estava escuro. Você deixava o copo d'Água em cima da televisão, esperando que as benções dos padres a abençoassem e você melhorasse logo. Pensando bem, você até rezava antes de comer. 
Mas ai eu te vi naquela cama e me senti tão triste. Você tinha peso nos olhos, mas se divertia com o nosso pavor. Sorria a quase gargalhar, até que disse algo como: "acendam uma vela, então!"
Dona, nós éramos crianças mas não tão burros. Era dia. A luz entrava em todos os centímetros daquela casa, menos no seu quarto. E seu quarto era o que mais deveria estar iluminado. Estávamos lá porque queríamos que não se sentisse sozinha. E talvez seu riso tinha sido por isso. Mas a luz voltou. 
Depois que abandonamos seu quarto, você se sentiu triste?
Dona, depois que se foi, seu quarto ficou vazio e trancado. Mas hoje está habitado e continua lindo.
Você ficou na minha mente, Dona.

domingo, 1 de março de 2015

Poesia holística do mundo

ah. eu tô aqui embaixo da sua janela,
meu amor, do pelourinho azul que tr
anspira poesia porrrrrrrtuguesa que e
u sei que tu adoras, do mesmo jeitinh
o que eu adoro bater uma pelada e de
ixar a tua parede marcada com a suje
ira da minha bola. eu sei que se eu ba
ter a campainha agora ou às três da ta
rde tu vais me atendê com aquele ves
tidinho branco que cobre os joelhos e
vai amar me ver pegando na tua cintu
ra, com aquela pegada forte, firme de
quem te quer dançando pertinho pelo
resto dos nossos dias nesse finzinho d
e mundo. eu sei que tu sorriu agora. e
u sei que sou romântico por demais e
eu não entendo nada de literatura não.
não sei de muita coisa. não sei falar d
esses livros que tu gostas nem por qu
e o sargento gosta tanto de ver as pes
soas soltarem sangue. essa vida é das
brava, sabe? nêgo corre e bomba exp
lode. e eu só sei o que é amor. é a úni
ca coisa que eu sei dessa vida. sei qu
e eu e tu nos amamos debaixo do me
smo céu, que eu prefiro brigar contig
o do que fazer amor com outra pesso
a. eu sei que tu é linda. e é isso. tu ac
ena pra mim lá do alto e eu me sinto
dono do mundo. duvida? pergunta pr
a esses tiras o que é amor. eles não v
ão saber responder. é por isso que o
mundo gira desse jeito, tô falando. d
epois dizem que eu é que sou louco...