quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Are you getting better? (at pretending you're ok)

Num momento como esse, passaríamos horas falando sobre como a névoa que paira o mundo anda pesada. É densa, de um cinza feio e que pouco se importa com os ataques de tosse e asma. Te sufoca. Faz questão de não te deixar respirar em meio a tempestades de fuligem e erupção. Juro que é quase uma crosta grossa, que você vai apalpando como se estivesse tentando encontrar um caminho pelas paredes. Não sei. Não é algo que se dissolve conforme você se aproxima. Mas parece pó.

Aí é que você me pergunta o que é que a gente faz. Eu paro por alguns segundos, olhando para um ponto fixo qualquer. Não encontro resposta. Olho de novo pra você, com aquele mesmo olhar que há dias você vem conhecendo, mesmo sem querer. Você continua machucado e eu sem curativos. Neste mesmo curto-circuito, eu compreendo perfeitamente o que você está pensando. Acho que você também me entendeu. Não sei se é a verdadeira semiótica, muito menos se há algo de intrínseco naquela besteira toda. Mas é aquilo; você procura contato humano e eu tô sempre ali, prestes a te aceitar com o que você tiver a me oferecer. 

Quem sabe a gente consiga refletir um pouco de luz.

domingo, 15 de novembro de 2015

Like a church of virgins

"... And it always ends up: me against her..."

Estamos sempre indo contra a natureza:
Relacionamentos, drogas, dinheiro, ataques violentos contra outras nações
E eu tô cansando.

Querido diário, hoje gritei tanto que estou rouco; pensei tanto que estou demente e dormi tanto no chão que minhas costelas doem. Sou muito egoísta e as pessoas percebem isso. Sou muito desesperado e isso, por si só, me desespera. A verdade é que não sei escrever. Eu finjo. Eu minto. Eu finjo que minto sobre o que sinto.
Tem dias em que não me aguento. Tem dias em que nada me importa. Tem dias em que as coisas me importam demais.
Quando pergunto se você está bem, realmente quero saber o que está sentindo. Se algo lhe chateia, o que está acontecendo ou por que não está tudo bem.
Me perdoa por me importar demais. Não tenho amor próprio o suficiente para achar que vou deixar tudo bem e meu complexo de culpa deixa tudo pior. Não sou o melhor, mas tento. Só que às vezes tento demais. Procuro proteger quem amo e é assim que é.
Minha cabeça tem mudado muito rápido nesses últimos meses. Quanto mais acho que sei de muitas coisas, mais coisas descubro. Isso tem sido pesado para mim. É engraçado como quanto mais procuro não vitimizar minha situação, mais me encontro nela.
Me sinto inseguro, entende. Carente, de certa forma. Mas vai passar. Sempre passou.

"... Tá, mas o que você quer de mim?"

Que coisa errada, caras. Rezem pela Síria, também.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Maggot Brain

Como a tela de um computador vazio que nada contém, estamos ambos aqui
mudando nossos sentimentos como mil pixels que dançam e distorcem, saturando tudo o que há a ser saturado
E eu adoraria mostrar tudo o que este pequeno corpo pode oferecer
São mentiras que infelizmente vieram à tona
São sentimentos que infelizmente não sei controlar
As noites em que agonizo e não sei mais onde – ou o quê – procurar

Sabe, faz tempo que não me sinto assim
E antes eu mesmo criaria sombras de ódio perante a mim ao cogitar pensar em tais coisas
Mas me foi descoberto, ao ápice de minha criatividade, que todo o problema se originou na raiz
Me sinto como tal pois fui criado assim

E hoje sou esse tapete
que morde, vez em quando

Mandei mal.