sábado, 30 de abril de 2016

Mania

No meio de tanta mudança, quem resta é você.
Você, desprezível mania; aquela que insiste em me manter fora da zona de conforto. Me mantém em lembrança do que eu tenho me tornado e o que eu poderia acabar por tornar.
Não desprezível.
Compreensível.
Por final, combustível.
Me jogou pra lá e por acá que no fim me dou conta que a situação pra acabar, teria que ter começado.
Me enchi de problemas onde não tinha nem isso nem assado.
E mantenho a palavra de que prefiro ser indefinido e abrupto em cada oportunidade social do que o mesmo; pois ali eu tenho a confirmação de que a mania se manteve como combustível.
Meio vazio ou meio cheio, ao menos o copo têm sido genuíno e sincero.
Repreendo-me também por esquecer. Mania é presença, mania é amizade.

No meio da madrugada, a mania é quem ao telefone atende.
Ouve pacientemente e te compreende.
E quando chega o suposto problema, te manda o modus faciendi.
''Te liga maninho, cê tem que saber que tá tudo susse, sangue bom!''
Eu sei e tô na luta, mas na escatologia da minha cabeça eu sou o meu próprio armagedom.
De qualquer forma aqui eu encerro, e abraço meu irmão
Lembro-me daqueles que ao invés da palavra, estenderam a mão.
Mas no fim eu tenho a conclusão

Hoje sem correria
coisa boa é a mania
quem dera antes eu saberia
te lembra quem tu é, e não quem seria
e querendo ou não, ela ama em te dizer
você não vive de mania
ela é quem vive em você

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Não liga.

Devia ser tão mais legal viver
Com o meu skate
Mas eu era tão
Pesado

Devia ser tão mais legal andar 
De carro
Mas eu era tão 
Pobre

Viajo em versos
Mas estou tão pesado 
Tão pobre

Quebrado, sem emoção 
Sem
Sentimento

E mais uma vez não me conformo com os versos anarquistas que quando postos à prova, sumiram.

Hoje sou uma imperfeição. Sem skate, sem carro. De bicicleta. E de novo deixo-me guiar até o limite do aceitável, esperando não cair para os lados.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

[à] beira-[mar]

tempos de cólera –
no descompasso da onda
azul-verde-água
mergulhou no tsunami,
por pouco se salvou da tempestade
abrigo na brisa leve do dia
:
correu para o rasinho
voltou a ser criança de novo
molha! os pés na água
e percorre as curvas da estrada
para o nosso lar
da espera, tortura do tumulto
:
só um pouco de paz
no relento de um beijo extinto
[ pois era breve, ]
uma quinta de onda baixinha
se acomoda à beira-mar.

terça-feira, 5 de abril de 2016

crônica em 180°

"Um mês havia passado e eu me sentia há uma eternidade no mar. O dia da partida parecia algo tão distante no passado como a data do meu nascimento. Estava profundamente bem, como se a vida tivesse sido sempre assim, alternando, dia após dia, paisagens violentas com cenas de calma, minutos de preocupação com momentos de muita alegria."

a cadeira era desconfortável (no seco, como todas as outras) e a sensação de ver cena por cena, plano por plano, inebriante. as pausas (diversas) agoniavam, mas faziam sentido. no fundo eu só queria reclamar e questionar o quanto eu achava irritante as coisas que eu mesmo faço.

a cena do sertão exposta por um retroprojetor em uma tela. a areia. os animais andando... se eu desviasse o olhar, poderia ver um prédio espelhado, que refletia uma luz diferente, misturada com outras imagens. aquelas imagens que você vê de vez em quando e quer paralisar o momento, as nuvens, a temperatura, tudo, e poder mostrar para todo mundo? e que talvez, só seja dado a você ver?

não é possível ver aquilo de novo. que memória eu posso ter? quem também viu? eu posso chegar lá amanhã, no mesmo horário, e ter esquecido detalhes minúsculos que não estão iguais. Algumas coisas são assustadoras.

o convite era (até onde eu ouvi, e bem, lembro) imaginar uma linha cruzando o meio da sala e a ideia das câmeras e luzes e a história dos 180°. Juro que eu entendi a ideia, eu só não quero mostrar que eu sei ela. Eu só precisava de um título.

o peão caindo das pequeninas mãos
o grito do menino "mãe! mãe!"
a sensação estranha de inexplicação
que memória será que aquela criança vai ter?
deve ser somente um filme estranho e experimental que ela só pode ver uma parte da metade e não chega a ver o fim que vai visitar ela toda vez antes de dormir.
os fogos de artifícios, os gritos, o desespero.

girar aquele peão nunca mais vai ser alegre quanto era antes. nunca mais.

"E ir em frente. Então tudo se tornava mais fácil. Os problemas encontravam solução. 'Decidir sem medo de errar', escrevi a página 84 do diário e apontei na direção de Salvador. Estava decidido e certo."

em cada uma das páginas diárias escritas estão guardadas muitas coisas. de vez em quando a caneta avança decidida, de vez em quando vacilante. não tem um padrão. há cartas para todos os gostos. 'o que será que vive nas ideias desses amantes?' devem se perguntar as linhas.

imagino que se cada uma dessas páginas criassem asas e saíssem voando por aí, ao encontro de cada destinatário e pousasse no colo de cada um, a confusão que seria. mas, no fundo, eu daria risada, e seria libertador. talvez ensaiasse suspiros e abririam sorrisos, algumas.
por sorte (ou azar) que o remetente é impossível. Mas eu só não queria mesmo era perder a piada, agora.

"Na quietude daquela noite, a última, ancorado no infinito sossego da Praia da Espera, sonhando com os olhos abertos e ouvindo outros barcos que também dormiam, descobri que a maior felicidade que existe é a silenciosa certeza de que vale a pena viver.
E dormi. A 'lâmpada' ficou acesa."

a lembrança das risadas infantis e a alegria típica ecoavam na minha cabeça.
a imagem da flor branca que aquela criança deixou no meu colo vai sempre me visitar.

a sensação de imaginar o barbante do peão saindo e ele girando por aí, se divertindo...

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Dois tiros na cara só pra confirmar.

Sou um péssimo namorado. Sou uma péssima pessoa. Os olhos fugindo não são charme; é medo.
As risadas, os textos, as falas ensaiadas... Tudo. 

Às vezes a gente se sente um lixo e só quer enfiar a cara na terra pra sempre.
Às vezes a gente se sente incrível e só quer conversar com o maior número de pessoas possível.

Há quem diga que há a beleza na tristeza; assim como em todos os sentimentos. Todos são belos, cada qual do seu jeito. Aprendemos isso até em filmes da Pixar.

Você está no meu cérebro 90% das vezes em que tomo uma decisão. Isso é bom, isso é ruim? Apenas é.

Mas você para e eu paro.
Você ri e eu rio.
Você chora, eu tento ajudar.
Eu falho em ajudar, me sinto culpado.
Me sinto culpado, me sinto triste.
Se eu estiver triste, você está triste.

E eu também me sinto bem idiota 99% das vezes. O meu passado me condena e insiste em pagar a janta. 

Será que algum dia eu conseguirei tomar coragem para mudar? Você vai gostar mais de mim se eu conseguir mudar? Será que eu posso mudar?

...