sexta-feira, 27 de maio de 2016

É isso.

– Mas e o que você acha?
– Sobre o quê?
– Sobre tudo.
– Não sei.
– Como não sabe?
– Apenas não sei. Não sou dono da verdade.
– Que inferno, você.
– Desculpa, É melhor eu ir.
– Não, fica.

terça-feira, 24 de maio de 2016

waiting for the sun

Calmos, desatentos e ávidos braços
insistiram-me em segurá-la entre beijos e abraços
e em cada pedaço de curva e olhar de entrelaço
acordei.
em algumas noites acordado, persisti e caminhei.

                                                                                                           (suspirei)

Contido e pensativo, na encruzilhada me deparei
eu sabia o que cada canto me esperava, mas contei até três.
me morder à noite pensando
ou contar tudo de uma vez?

(caminhando)

Soaram as trombetas,
o sol havia chegado.
de emoções, nu
e resto despreparado.

(deitado)

O sono é situacional
vou falando com o travesseiro
o de sempre; convencional
enquanto fico na saudade do teu cheiro

(...)

é, Avenida.
é a vida.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Re: com amor,

(...) com o mesmo amor pelo qual palavras mancharam as paredes, tudo foi feito de memória. poderia tatear as paredes do corpo procurando runas antigas, mas o mapa se encontrava sempre absurdamente intangível: o ato de inocular a coisa viva em corpos celestes bagunçava o amor por toda a casa. a casa, permita-me dizer – nunca passou do deleite da psique na forma palpável de aromas inebriantes. arriscaria dizer que seria a tua mistura de cigarros, orgasmos e perfumes de estante. o brilho da intimidade que me faz reconhecer tua pele em braille mesmo depois da completa revitalização das células em sete anos. por pouco era pouco.

a longevidade era pouca. na maior parte do tempo, só deixaria as coisas ternas; ali, grampeadas em arquivo de sopro vital, de fracassos do coração. mas enganar quem? nem após um século de destroços eu entenderia o que aconteceu naquele outono.

 um dia, quem sabe,                                    
                 
(sempre com amor)
ao amor.

domingo, 8 de maio de 2016

fishbowls

Oi a você, peixe do aquário.
Sabe, incessantemente me permaneci na timidez que foi encará-lo.

Difícil imaginar o quão autômatos esses pequenos seres de barbatana 
têm vivido ao seu lado.
Se locomovem de uma parede à outra, em equilíbrio e constância, apenas esperando a próxima sessão de ração.

Talvez seja isso mesmo, não teremos tantas oportunidades quanto as que desejamos, as oportunidades que nos aparecem nos sonhos. Aquele sorriso magistral de felicidade genuína após um dia de boa convivência sem esperar nada em troca.

Ah, onde eu estava mesmo?
Sobre a timidez.
Certo.

O motivo de toda essa timidez é porque somos tão diferentes. Há uma barreira de vidro entre nós.
E eu não deixo de aprender um dia com você.
Ao invés de se agarrar no desespero e no pânico, reclamar da miserável vida que teve e têm tido até agora como muitos lá fora
Você achou felicidade e alegria em cada metro quadrado desse aquário decorativo.


Você me ensinou que true joy é encontrada em nós mesmos e nas limitações, como pois bem a parede de vidro que te impede de nadar. E sabe o que mais? Ela é feita...
''Já vivo nesse aquário desde que nasci, não é mesmo? Não tem mais nada aqui pra mim.''
...para localizar as grandiosidades que você tão voraz e impetuosamente insiste em ignorar, mesmo que sem querer.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Vê?

Não há nada tão pesado que eu possa escrever que pode deixar você, leitor, atordoado. Minhas palavras simplesmente não têm profundidade. São vazias. Não conseguem deixar marcas e cicatrizes na sua mente. Não passam dos seus olhos, na verdade. 
Não há profundidade em minhas palavras porque não há profundidade em mim. Sou oco. Toda a minha existência é um vazio. Eu, enquanto pessoa, sou só eu. E mesmo que deixe de ser eu, ainda assim serei eu.
Vê? Não há ponto algum em mim. E exatamente por não haver ponto em mim, posso ser facilmente descartado; assim como minhas palavras. 
Minhas palavras, assim como eu, precisam ver a luz do dia. Precisam de aceitação. Precisam de olhos que a vejam, para que então possam ser deixadas de lado. Dessa forma, mesmo que deixadas de lado, ao menos existiram.
Eu, ao menos, existi. E tive meus momentos (assim como elas...). 
Rapidamente serei deixado de lado (se já não fui) para que outro ocupe meu lugar.
Vê? Perceba a semelhança que tenho com minhas palavras. São tão sinceras mas tão desesperadas... Tão ingênuas e cheias de liberdade...
Mas perceba: elas têm um fim. 
Tem que haver um fim para tudo que existe no universo. 
E como as minhas próprias palavras, que jamais conseguirão se concluir de forma bonita, irei embora.